Burn-out
Estou
em casa a recompor-me de uma dor de coluna há aproximadamente 1
mês.
Julgava
eu que era só uma dor de coluna...
Não
prestei atenção aos alertas que o meu corpo foi dando.
Sentia
uma pressão na coluna que piorava com o estar sentada muitas horas
mas sendo fibromiálgica desvalorizei os sintomas.
Um aparte mas mais do que a incompreensão das pessoas que nos
rodeiam, nós somos os nossos piores inimigos.
Não
falo só de pessoas que padecem da mesma doença mas de todas as
doenças crónicas.
Desvalorizamos
e desprezamos os alertas do nosso corpo, porque ouvimos os
comentários depreciativos (tantas vezes!) dos outros e esquecemos de
ouvir quem realmente importa: nós!
Quando
comecei a sentir- me mal, deveria ter sido honesta com a minha
reumatologista. Deveria ter-lhe contado que além das dores físicas,
a parte psicológica também não estava nada bem.
O
stress diário constante no emprego, a exigência e o excesso de
trabalho, o dormir pouco e mal, os ataques de choro incontroláveis,
por tudo e por nada (literalmente), sempre com uma sensação de
angústia e irritabilidade nada normal, alterações nas unhas e pele
e para não falar dos sintomas habituais da fibro ( inchaço dos
membros, a sensação de "queimadura" na cervical e lombar,
dores de cabeça, confusão mental, problemas gastrointestinais, etc)
Enganava-me
a mim e a ela.
A
mim, porque achava que tudo ia passar como era habitual. Já passei
por tanta coisa que esta era apenas mais uma.
A
ela, porque impedia que me ajudasse.
A
mania (irritante) de termos de ser perfeccionistas tanto na vida
profissional como na vida familiar. De acharmos que somos
invencíveis. De acharmos que somos insubstituíveis.
A
grande verdade é que tudo se faz. Estejamos ou não presentes. E
eu agora tenho a prova, porque em 20 anos de trabalho, nunca tinha
estado ausente (apenas por baixa de parto)
E
todos temos limites. O meu chegou agora.
Estou
com um quadro de burn- out, que nunca tinha ouvido falar até ao dia
de ontem, ou seja, exaustão/ stress profissional prolongado ou
crónico.
E
o pior é que está tudo interligado, o físico e o psicológico.
Se
me tenho ouvido. Se tenho recorrido quando comecei com as queixas, já
estaria recuperada. E provavelmente, a trabalhar...
Sei
que a autocomiseração não é a solução e que o que mais
necessito agora é manter uma atitude positiva e tratar-me...Bem!
Há
que pensar que mesmo estando limitados podemos ter uma boa vida.
Não
somos de todo, invencíveis
mas somos, sim,
donos e senhores da nossa vida.
Se
nos ouvirmos e se nos respeitarmos, podemos não mudar o mundo mas
podemos
mudar
o nosso.
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